Skip to main content

“Transbordo – Santiago de Compostela”: prolongamento exposição até 30 de dezembro de 2025

A exposição “Transbordo – Santiago de Compostela”, com curadoria de Iñaki Martínez Antelo, encontra-se patente nas Galerias João Lemos Costa e Germano Cantinho do Museu Bienal de Cerveira, até 30 de dezembro de 2025 (prolongada).  A mostra inaugura o programa “Cidades Convidadas”, integrado no biénio temático “Territórios sem Fronteiras” (2025–2026), com o apoio da Direção-Geral das Artes e visa aprofundar o intercâmbio cultural entre cidades com trajetórias e identidades distintas, colocando a criação contemporânea no centro de uma reflexão sobre as fronteiras — físicas, sociais e simbólicas — que moldam a experiência dos territórios e das próprias comunidades.

Nas palavras do curador, Iñaki Martínez Antelo, a exposição “explora as múltiplas formas de trânsito — físico, simbólico, afetivo — nos territórios transfronteiriços entre a Galiza e Portugal, propondo uma cartografia poética da travessia e da transformação”. A mostra tem como artistas representados: Breogán Xague, Irene Grau, Jaione Camborda, Jesús Madriñán, Marina González Guerreiro e Pablo Barreiro.

Sobre a exposição

A exposição “Transbordo” inaugura o programa “Cidades Convidadas” do biénio 2025–2026, integrado na XXIV edição da Bienal Internacional de Arte de Cerveira, que decorre sob o tema “Territórios sem fronteira”. Concebida como uma plataforma de intercâmbio artístico e territorial, esta iniciativa visa dar visibilidade a vínculos históricos, culturais e simbólicos entre diferentes contextos geográficos, promovendo simultaneamente a circulação e a internacionalização de criadores contemporâneos.

A exposição “Transbordo”, centrada em artistas ligados à cidade de Santiago de Compostela, constitui a primeira de duas exposições previstas neste âmbito. A segunda, dedicada a artistas de Luanda, será comissariada pela curadora angolana Paula Nascimento. Ambas as cidades mantêm relações significativas com Vila Nova de Cerveira: Santiago, através do Caminho de Santiago, e Luanda, pelo seu vínculo com a história colonial portuguesa. Desta forma, o projeto permite articular uma reflexão crítica sobre as fronteiras — geográficas, sociais, políticas ou simbólicas — a partir de territórios marcados pelo cruzamento e pela mobilidade.

Partindo do conceito epistemológico de passagem, o termo “transbordo” remete ao ato de se deslocar, ao momento de mudança, à travessia entre um estado e outro, entre um ponto de partida e um ponto de chegada. O transbordo implica sempre uma espera, uma incerteza, um trânsito: é um gesto intermédio, uma operação de deslocamento que não se resolve em si mesma, mas que assinala uma transformação. Trata-se de um intervalo ativo, em que o sujeito se confronta com o desconhecido, com o outro, com o possível.

Nesta perspetiva, a exposição “Transbordo” propõe-se como uma exploração artística desse estado liminar, da experiência da travessia — física, simbólica ou afetiva — que caracteriza não apenas os territórios de fronteira, mas também as trajetórias contemporâneas do sujeito, da memória, dos corpos, dos discursos e das imagens.

Neste contexto, a exposição “Transbordo” propõe uma reflexão, a partir das práticas artísticas, sobre as diferentes formas de trânsito. A seleção de seis artistas corresponde à vontade de traçar uma cartografia do deslocamento a partir de múltiplas perspetivas: algumas políticas, outras poéticas; algumas íntimas, outras geográficas. Todos os artistas mantêm, de uma forma ou de outra, uma relação com a Galiza, com Santiago de Compostela ou com Portugal, e a sua presença na exposição justifica-se tanto pela ligação territorial como pela afinidade conceptual com o projeto.

Participam na exposição os artistas Pablo Barreiro, Jaione Camborda, Marina González Guerreiro, irene grau, Jesús Madriñán e Breogán Xague.

Em conjunto, os seis artistas traçam uma cartografia do trânsito, desafiando a fronteira não como uma linha fixa, mas como uma zona de fricção e de fertilidade. O que une os seus trabalhos é uma atenção continuada ao gesto de atravessar: seja a partir de uma perspetiva política — as rotas migratórias, as geografias do poder — de um olhar poético — a paisagem, a memória, o corpo — ou de uma narrativa anedótica — as formas íntimas da fala, da passagem, do contacto.

Curadoria: Iñaki Martínez Antelo

Colaboração:  Lucía Amoedo